domingo, 22 de fevereiro de 2009


Fechou a janela, apertando com força o trinco, travou. Caminhou em direção a porta, olhou pela última vez aquela velha casa aonde sonhara e aguardara Roberto; Pacientemente olhava cada canto da casa, como se esperasse ainda encontrar algo que se esquecera de esquecer nestes seis meses, não achara nada, sabia que estava vazia, certamente suja, mas vazia.

Era uma tarde fria de março, mas ela ainda não tinha coragem de sair pela porta, e deixar tanto vazio para trás, acostumara a viver ali, na esperança do retorno de Roberto, todos os dias e momentos, a cada carta ou visita, esperava nestes a presença de Roberto, mesmo que apenas para lhe explicar o adeus.

Ele Jamais viera, era fraco, mentiroso, enganador! Mentia a todo tempo, ela sabia, Roberto havia andado com tantas, enquanto estavam juntos, já a traia, seja com outra no cinema ou de pedindo telefone de mais outras. Estava cansada, e agora a raiva a consumia, queria lançar fogo a casa, abandoná-la de vez e nunca mais se lembrar das barbáries que ouviu sem poder se defender, era uma trajetória decadente, abandonara sonhos Bretões e criara esperanças Itálicas, pensou alguns momentos, trancou a porta, chorou, mas deixou o fogo consumir a casa por trás de suas costas, casa de onde esperara pouco de que lhe prometera tanto.

Começou assim sua caminhada de volta a sua casa vivendo la vita, senza la vita! Mas nunca pode ouvir os gritos de Roberto queimando junto com todo o resto.

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