quarta-feira, 22 de abril de 2009


Após algum tempo de caminhada sentou-se a beira da estrada, observou a placa Milão era logo ali. Ela estava com o corpo surrado e as vestes sujas, precisava de descanso. Caminhava em direção a estação de trem, e lá encontra Roberto. Como já fazia tempo, ela demorou um pouco para reconhecê-lo, ele não fazia muita questão, Roberto sempre fora assim, injusto e precipitado, nada lhe servia se não fosse de seu jeito e também não se importava com os problemas alheios, um verdadeiro egoísta. Ela ficou parada, Roberto estava morto, mas ela ainda estava curiosa. Roberto a cumprimentou como se cumprimenta alguém qualquer, achou engraçado o fato.
Seis meses, trancada em uma casa que deixara para trás nas cinzas, seis meses em que deixara para trás apenas o corpo de Roberto, seis meses em que sua sanidade foi colocada a prova! Ele não se importava, era como se tudo tivesse ocorrido ontem, não se preocupava em detalhes, a vida era agora, se preocupava com a paisagem. Tudo para ele era assim simples, não queria mais, então deixara para trás, assim vivera, noivo? é claro que estava noivo! E você? - Perguntava como se não se lembrasse de nada – Podemos fazer algo juntos, ainda me lembro que temos muitos gostos em comum!
Era algo deprimente, doente, contente, ela só observava como quem não acreditava no que via, não queria acreditar, afinal Roberto era feito de ilusões, suas ilusões mentais regulavam o mundo, se decidira partir, partiria como quem não deve nada a ninguém, sem dar explicações. Ele continuava assim tão impulsivo e infantil quanto agradável, para ela aquela situação estava a agoniando ela queria sair e ficar naquele trem, despediram-se, ela escreveu uma carta,e ele não respondeu, partira para algum lugar qualquer.

domingo, 22 de fevereiro de 2009


Fechou a janela, apertando com força o trinco, travou. Caminhou em direção a porta, olhou pela última vez aquela velha casa aonde sonhara e aguardara Roberto; Pacientemente olhava cada canto da casa, como se esperasse ainda encontrar algo que se esquecera de esquecer nestes seis meses, não achara nada, sabia que estava vazia, certamente suja, mas vazia.

Era uma tarde fria de março, mas ela ainda não tinha coragem de sair pela porta, e deixar tanto vazio para trás, acostumara a viver ali, na esperança do retorno de Roberto, todos os dias e momentos, a cada carta ou visita, esperava nestes a presença de Roberto, mesmo que apenas para lhe explicar o adeus.

Ele Jamais viera, era fraco, mentiroso, enganador! Mentia a todo tempo, ela sabia, Roberto havia andado com tantas, enquanto estavam juntos, já a traia, seja com outra no cinema ou de pedindo telefone de mais outras. Estava cansada, e agora a raiva a consumia, queria lançar fogo a casa, abandoná-la de vez e nunca mais se lembrar das barbáries que ouviu sem poder se defender, era uma trajetória decadente, abandonara sonhos Bretões e criara esperanças Itálicas, pensou alguns momentos, trancou a porta, chorou, mas deixou o fogo consumir a casa por trás de suas costas, casa de onde esperara pouco de que lhe prometera tanto.

Começou assim sua caminhada de volta a sua casa vivendo la vita, senza la vita! Mas nunca pode ouvir os gritos de Roberto queimando junto com todo o resto.