domingo, 9 de novembro de 2008


Era apenas um domingo quente romano, como tantos outros já haviam sido durante aqueles três meses; Ela caminhara até a janela, e admirava o caminho vazio, como nunca fora. Já havia conhecido tantas outras pessoas, já havia estado em tantos outros lugares, mas sua honra ainda continuava ali, ferida, não como antes, mas ainda lhe angustiava, fora traida, fora julgada, fora esquecida. Roberto chegara em pior hora, e partiu quando já não deveria partir; Se ao menos tivesse claro seus motivos e tivesse agido como um humano qualquer, talvez tudo isso não seria tão decepcionante.

Olhava o sol, eram cinco horas. Talvez houvesse algo a fazer, algo a tentar, quem sabe um telefonema, uma imagem no perfil, talvez uma mensagem pelo dia de sua profissão, algo que tentasse de forma ínfima a provar que o caráter de que Roberto fora aludido a acreditar duvidar e repudiar, nunca fora nem uma parte daquele ridículo, em que ele acreditou. Queria algo que mostrasse que merecia uma chance, de ao menos uma simples uma amizade, assim como ele dera a outra mulher, que diferente dela provara de fato, que caráter não se ligava a sua conduta; Tudo fora mais uma vez distorcido e manipulado, só conseguira mais raiva e um desprezo desproporcional, que a intrigava mais. Tentaria então na rua da casa de Roberto encontrá-lo, seria o mais sábio a fazer, e poderiam resolver tudo pessoalmente! Mas não foi assim, eram oito horas do dia dezoito, de um novo horário, esquecera da mudança, chegara tarde; Roberto passara pela calçada as sete, e estava dormindo.

Olhava a vida, a vida não era mais vita, mas estava alegre, encontrara novas pessoas, novas chances e oportunidades, não era necessário que se preocupasse com o repúdio de alguém que não mais a queria em sua vida, mas pensava ainda em Roberto, de forma quase que infantil, como uma criança que acreditara que seus mais benignos ideais estavam nele encarnados.

Eram seis horas, o sol já estava baixo, a vida continuara, o telefone tocara, não era Roberto, nunca tivera sua chance, nunca pudera se explicar sobre algo que não conhecera, nunca fora ouvida, fora apenas esquecida.