sábado, 16 de fevereiro de 2008

Tenho abandonado alguns projetos para aderir a outros, e que projetos! Projetos que percebo meros projetos, vivendo-se sempre do mesmo itinerário de vazios, de planejamentos imiscuidos com lama e lágrimas, e sei que inseguros. Nada parece avançar embora tudo tenha dado certo no passado e quando recordo os caminhos trilhados, o que já vivi sempre se elementa em minha memória mas não ressuscita, minha memória sempre se demonstra fosca. Arranhada pelo subjetivismo com que a invoco e organizo. Nada do que fiz me irrompe o âmago de maneira digna, do modo que fui e senti e desejei tão piamente que o tempo disparasse e eu me libertasse... Mas o tempo jamais dispara. Minhas pequenas conquistas vinham, meus fracassos ficavam sempre em algum fragmento desperto da consciência. Que alertava-me instantâneamente e de maneira lamentável. Sinto orgulho de minhas vitórias mas a aversão ao intocável é inerente aos meus passos e sonhos, sou apaixonado pela misantropia pois os homens me enervam. Acaso pudesse, viveria soterrado num cômodo revestido de livros, silêncio e conforto. Assim poderia escolher o modo que os ambientes e pessoas seriam e o tempo que as desejasse. Tiro fotografias das sombras dos objetos e sinto como se fossem minhas únicas confidentes.