segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

São muitas clavículas que arrastam o mundo. Eqüinos subnutridos movimentando as carruagens imensas e paralelas da vida. E atrás das chibatas - álém dos receios, traumas e angústias - acossados ininterruptamente pela velocidade das sombras que os espreitam, aterrorizam suas visões periféricas e chacinam seus momentos íntimos. Num galope contínuo e que se ascende e perde cada vez mais obstinadamente e hermético de suas almas e corpos. Que, sob tortura e pressão, cedem a tudo e cessam seus regozijos mais profundos, resignados e secretos... Friamente, pois não há tempo para aquecimento, perspectiva ou concentração. Nem estímulos para o prosseguimento. E apenas lhes resta o anseio de não se despedaçar e ruir entre os abismos das dimensões. Estranho anseio pois a razão implora descanso, o respeito implora revolta e as emoções imploram frestas. Algumas clavículas sempre se estraçalham mas são muitas e muitas que as aguardam com olhos famintos e sede por espaço e chances. Virar-se significa ser atropelado pelo célere e copioso turbilhão que vem de trás em câmaras exíguas e escuras. Só lhes resta correr, correr e correr na vã tentativa de alcançar resultados turvos.