sábado, 10 de maio de 2008


Era uma tarde de inverno, das quais a consciência ainda se permite apenas imaginar, ela não pedia por mais nada, apenas gritava por algo que lhe parecia já tão incomum. Ela pedia que se sentassem, pedia que as coisas fossem menos claras e mais claras, pois toda aquela sinceridade a machucava de uma forma particular. Ela clamava pelo entendimento de algo que jamais vivera, isolava-se do mundo e não daquilo que gostaria de arrancar, se iludia em calmas palavras: secas, frívolas. Era uma tarde de inverno, era outra tarde de inverno, era a mesa tarde de inverno, o mesmo inverno em que a noite impossibilitou a vigência da normalidade consciente, o mesmo inverno que impossibilita o comum de voltar a ser princípio da consciência, o inverno que impediu a clareza do obscuro e talvez a impeça de jamais encontrar a clareza na escuridão, talvez, deixe-me pensar sobre isso.

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