
Eram onze da noite, e aquela dama esperava na sarjeta mais próxima entre lixo e dejetos. Aos trinta e cinco anos sua vida já não se parecia nada com aquilo que havia sonhado em épocas de menoridade, em devaneios profundos acreditava que sairia dos subúrbios de moscou e rumaria vida própria, deixaria de lado todas suas dependências e necessidades, não haveria mais de pedir por comida banhada de piedade ou de morar com outros tantos em um casebre ao fundo de uma antiga olaria, aos quinze anos seu sangue fervia como a luz dos sentimentos e desejos; aos trinta e cinco fervia como toda aquela neve na praça vermelha.
Pobre era aquela senhora, sentada na nevasca gélida, a espera da sua única ligação com a vida: um velho senhor, viúvo, pai de um filho já formado, com quem ela se encontra todas as noites frígidas de moscou, e como de costume todas as noites as onze e meia, o carro do senhor parava na mesma rua, um tanto longe da sarjeta que ela costumava esperar, ela caminha até o velho carro e só retorna as quatro horas da manhã, Sempre voltava; Suja de sangue, com vestes mau-tratadas e o rosto banhado com lágrimas que insistem em ser lágrimas no frio da capital russa. Eu a observou de longe, entre um chá e outro sua vida se passa diante de minha ausência, e estar fora de sua própria existência, me fortalece, aos vinte e cinco anos, espero sentado entre um chá e outro meu trem, observando a melancólica existência desta senhora, sem ter a quem recorrer banhada em uma desgraça que a vida não lhe deu preferência.
Pobre era aquela senhora, sentada na nevasca gélida, a espera da sua única ligação com a vida: um velho senhor, viúvo, pai de um filho já formado, com quem ela se encontra todas as noites frígidas de moscou, e como de costume todas as noites as onze e meia, o carro do senhor parava na mesma rua, um tanto longe da sarjeta que ela costumava esperar, ela caminha até o velho carro e só retorna as quatro horas da manhã, Sempre voltava; Suja de sangue, com vestes mau-tratadas e o rosto banhado com lágrimas que insistem em ser lágrimas no frio da capital russa. Eu a observou de longe, entre um chá e outro sua vida se passa diante de minha ausência, e estar fora de sua própria existência, me fortalece, aos vinte e cinco anos, espero sentado entre um chá e outro meu trem, observando a melancólica existência desta senhora, sem ter a quem recorrer banhada em uma desgraça que a vida não lhe deu preferência.
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