quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos... Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto — Nesta localidade da cidade ...
Há vinte anos!... O que eu era então! Ora, era outro... Há vinte anos, e as casas não sabem de nada...
Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram! Sei eu o que é útil ou inútil?)... Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)
Tento reconstruir na minha imaginação Quem eu era e como era quando por aqui passava Há vinte anos... Não me lembro, não me posso lembrar.
O outro que aqui passava, então, Se existisse hoje, talvez se lembrasse... Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!
Sim, o mistério do tempo. Sim, o não se saber nada, Sim, o termos todos nascido a bordo Sim, sim, tudo isso, ou outra forma de o dizer...
Daquela janela do segundo andar, ainda idêntica a si mesma, Debruçava-se então uma rapariga mais velha que eu, mais lembradamente de azul.
Hoje, se calhar, está o quê? Podemos imaginar tudo do que nada sabemos. Estou parado físisca e moralmente: não quero imaginar nada...
Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro, Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado, Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente. Quando muito, nem penso... Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora, Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento.
Olhamos indiferentemente um para o outro. E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol, E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.
Talvez isso realmente se desse... Verdadeiramente se desse... Sim, carnalmente se desse...
Sim, talvez...

Álvaro de Campos

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

São muitas clavículas que arrastam o mundo. Eqüinos subnutridos movimentando as carruagens imensas e paralelas da vida. E atrás das chibatas - álém dos receios, traumas e angústias - acossados ininterruptamente pela velocidade das sombras que os espreitam, aterrorizam suas visões periféricas e chacinam seus momentos íntimos. Num galope contínuo e que se ascende e perde cada vez mais obstinadamente e hermético de suas almas e corpos. Que, sob tortura e pressão, cedem a tudo e cessam seus regozijos mais profundos, resignados e secretos... Friamente, pois não há tempo para aquecimento, perspectiva ou concentração. Nem estímulos para o prosseguimento. E apenas lhes resta o anseio de não se despedaçar e ruir entre os abismos das dimensões. Estranho anseio pois a razão implora descanso, o respeito implora revolta e as emoções imploram frestas. Algumas clavículas sempre se estraçalham mas são muitas e muitas que as aguardam com olhos famintos e sede por espaço e chances. Virar-se significa ser atropelado pelo célere e copioso turbilhão que vem de trás em câmaras exíguas e escuras. Só lhes resta correr, correr e correr na vã tentativa de alcançar resultados turvos.

domingo, 27 de janeiro de 2008






Criadas como reflexo daqueles que servem como única fonte de inspiração, as crianças em grande maioria são vítimas de cretinos “revolucionários” que plantam a intolerância e o ódio, na mais frágil das mentes, aquela que não teve a oportunidade de supor, aquela mente que só teve tempo de admirar o único e de imaginar o imaginável, até que ponto o ser humano pode se rebaixar? Até que ponto “vadias” do pop mostraram suas vaginas, como se sua imagem pública pertencesse apenas a suas própias contas bancárias, desconsiderando a seriedade de ser vista como exemplo para milhares de frágeis mentes inocentes que em muita vezes ainda desconhecem a vulgaridade dos atos, daquelas que são "filhas" das futuras "mães" .

Até que ponto podemos nos isentar de criar reflexos profundos na formação de crianças? Até quando se aproveitar do mais frágil, contra o mais forte, for um bom negócio.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008


A loucura é companhia viva, reclusão feita, reclusão criada, reclusão invitada pela vida, por erros, por desleixos, por palermices. Pelo humano foi dada a roda, como prova clara de sua necessária expansão, nas margens da vida, o sentimento de utilidade parece algo inútil, a utilidade já não é mais útil, em um ciclo de vícios, que tende a cada milésimo acrescentar uma pedra, que leva a morbidez, que leva ao ócio, que traz a loucura, que exige correspondência, que não aceita explicações! Loucura que desaparece que volta que desaparece e volta repetidamente em um ciclo, de uma década e oito anos, três dias anulam sua companhia, e uma noite a faz voltar, a esperança se torna tão insana quanto a vida.
A liberdade, a sonhada liberdade, merecida, conquistada pelo convivo com a demência! Se a saída não fosse disputada por outras trinta mil pessoas, ela poderia ser mais fácil, mas ela não hesita, ela só exige, mas a mente não absolve, ela também exige.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Um sonho perturba-me com uma persistência espantosa. Chama-me de volta à aldeia do meu avô. Aquela casa onde nasci há 40 anos na mesa de jantar. A visão é-me tão cara que até me dói. Mas, quando quero entrar nessa casa, aparece qualquer coisa e impede-mo. Tenho esse sonho com freqüência. Mas quando vejo as paredes de madeira e a escuridão, sei, mesmo na sombra da espera do despertar, que não passa de um sonho. Por vezes, porém, deixo de sonhar com a casa e com os pinheiros em torno da casa da minha infância e tenho saudades. E espero impaciente o regresso desse sonho, onde voltarei a ver-me criança e a sentir-me feliz, porque tudo está ainda pela frente e tudo será ainda possível...


Tarkovski

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008



A esperança, que não depende mais de nós, quase sempre se limita a todo o resto a quem nós tentamos confiar, depositamos nossas fraquezas e sonhos nas mãos daqueles que poderiam fazer nossas esperanças irem além de frias noites de sonhos esfumaçados, por desespero ou por falta de opções, sem caminhos definidos ou certezas concretas só podemos aguardar o amanhã incerto e angustiante, que sem grande surpresa, será tão vazio quanto à espera; A necessidade humana não condiz com a ação, à necessidade humana só condiz com seu próprio Bem estar, e se a esperança alheia não o completa, será esquecida ao “destino”.

não me sinto bem em espaços públicos. algumas pessoas me aborrecem profundamente quando começam a falar. a se aproximar gesticulando. fazendo menções espalhafatosas. absorvendo cada filete de atenção e paz de minha mente já alvoroçada. achando que tudo se restringe a seus gostos e vaidades pessoais. que a vida é cheia de encantos e paraísos flutuantes. e tenho o desejo de cuspir. as mãos sedentas para estrangular. os dentes em fúria para se descerrarem e permitirem as sentenças mais brutais de impaciência. até que elas vão embora. e tudo volta ao que era sem qualquer significado. e penso que perdemos muito tempo ouvindo coisas estúpidas, vendo coisas estúpidas. e o contato contínuo pode nos tornar o que mais refutamos. os feixes de convívio exteriores se sobrepõem a nossa frágil mente. somos redefinidos a cada minuto.

sábado, 19 de janeiro de 2008




A ansiedade já correu o que sobrava da minha alma, o amanhã é um forte de folhas de seda, bem arranjado, sustentado por frágeis vigas de esperança. Esperança de que o amanhã, não o próximo, mas talvez o posterior ao próximo amanhã, trará o tão sonhado amanhã de ontem, eu sei que ele vai chegar, amanhã talvez! Amanhã é logo ali, só mais esse dia, só mais algumas horas, só mais poucos minutos! Não, mas quem sabe amanhã...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe,da farinha, do aluguel,do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,pilantra, corrupto, e lacaio dos exploradores do povo."

B. Brecht

Cansaço, apático, de não poder ver a vida como cada um escolhe ver, em diversas atitudes, os seres que vagam e se denominam podem simplesmente ser o que lhes cabe ser, talvez por meio, talvez por oportunidades e certamente por verdades, mas nunca confinados por uma realidade de meio e oportunidades, de verdades que desagradam distintas vivências.
Isolamento aliviado por vezes através das opções grotescas e nebulosas, a margem de falsas esperanças, nas quais uma vida “normal” se torna plausível e os anseios mais comuns podem ser reais; Banalidades da formação ao longo da existência alheia, que ferem fatos corriqueiros que jamais foram experimentados pelos cansados, durante toda sua simples vivência; que até podem ser tocados de forma superficial em manobras obscuras, mas que jamais poderão ser completos.
E quando o cansaço se faz mais forte do que cínica opção, então acabou; Já é hora de buscar ‘adágios’ similares, ou de se render, e aceitar a negação.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Quanto mais se espera do futuro mais se percebe que o futuro só se baseia em uma rede de suposições, que levam a sonhos que serão determinados por fatos, que muitas vezes não podemos controlar.
Sem duvida se conseguíssemos controlar todos os fatores que influenciam de forma contraproducente, nossas inventarias esperanças, que chamamos de “futuro” seriam mais do que suposições de “acalanto” para a consciência; Talvez seja por isso que a esperança de um “futuro” melhor, ao começo de cada ano conforta cada dia mais nossos devaneios mais profundos, e nos prende, ainda mais, a nossa situação mais autêntica.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008






Igualdade ! Igualdade ! Igualdade

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Os escritos sem objetivo são os melhores, desapegados a fluxos técnicos e banalizadores, esmagam o que houver para se esmagar de real e típico. Simples são, pelo prazer de desobedecer a insaciedade de todos os propósitos e de transcender a razão mortal. Surgirão os panfleteiros do apocalipse e as carabinas estarão arregaladas, com seus estereotipos e fracionadas e lucidíssimas bases do contexto cronológico-cosmo-ocidental. E fundar projetos sem quaisquer intenções devem ser as metas dos comunistas sujos. Não, Interpol, não venha antes de eu coletar minha mamadeira e saber a real procedência de meu


Fomos atacados ontem na noite do dia 31, a soberania deste imenso país foi tomada! De forma sorrateira enquanto todos comemoravam o ano novo, era possível ouvir as explosões, sem exércitos ou morteiros os americanos tomaram o país! Estamos sobre o controle de Washington! Eu ouvia, e conheço várias pessoas que também ouviram “estalos” como de bombas, só que eram bombas atiradas aos céus (os americanos não queriam prejudicar a vasta infra-estrutura do país) todos os emails e correntes estavam certos os americanos estavam de olho no país, e hoje eles são donos, tomaram conta, com ajuda da china, e com o atraso da Grécia.