terça-feira, 23 de dezembro de 2008


O assunto como o leitor já sabe será o mesmo, tantas vezes abordado e repetido, que chega a cansar a mais boa alma; Sem novos fatos, Será simplesmente repetido de certo ganhará novas feições, as quais foram incorporadas ao longo de mais alguns meses, mas, que de nada mudaram o rumo desta história. Quero escrever um livro, posso escrever um livro,com o não tão vago assunto, como a tantos parece. Incorporarei alguns elementos novos! Atribuirei novas faces as velhas máscaras! Darei a expressividade necessária para que todos entendam! ou simplesmente narre ela de forma fiel. A confusão, assim como o assunto ou o desânimo, permanece. Continuo também vazio sentimentos e sonhos, sou um poste! Era um poste, cheio de certezas e caminhos, que me faziam pétreo, fixo, destinado! Hoje sou a sombra: a forma continua a mesma para tantos, mas não há a força, não há mais certezas. Sou um projeto durante o dia que se apaga a noite.

domingo, 9 de novembro de 2008


Era apenas um domingo quente romano, como tantos outros já haviam sido durante aqueles três meses; Ela caminhara até a janela, e admirava o caminho vazio, como nunca fora. Já havia conhecido tantas outras pessoas, já havia estado em tantos outros lugares, mas sua honra ainda continuava ali, ferida, não como antes, mas ainda lhe angustiava, fora traida, fora julgada, fora esquecida. Roberto chegara em pior hora, e partiu quando já não deveria partir; Se ao menos tivesse claro seus motivos e tivesse agido como um humano qualquer, talvez tudo isso não seria tão decepcionante.

Olhava o sol, eram cinco horas. Talvez houvesse algo a fazer, algo a tentar, quem sabe um telefonema, uma imagem no perfil, talvez uma mensagem pelo dia de sua profissão, algo que tentasse de forma ínfima a provar que o caráter de que Roberto fora aludido a acreditar duvidar e repudiar, nunca fora nem uma parte daquele ridículo, em que ele acreditou. Queria algo que mostrasse que merecia uma chance, de ao menos uma simples uma amizade, assim como ele dera a outra mulher, que diferente dela provara de fato, que caráter não se ligava a sua conduta; Tudo fora mais uma vez distorcido e manipulado, só conseguira mais raiva e um desprezo desproporcional, que a intrigava mais. Tentaria então na rua da casa de Roberto encontrá-lo, seria o mais sábio a fazer, e poderiam resolver tudo pessoalmente! Mas não foi assim, eram oito horas do dia dezoito, de um novo horário, esquecera da mudança, chegara tarde; Roberto passara pela calçada as sete, e estava dormindo.

Olhava a vida, a vida não era mais vita, mas estava alegre, encontrara novas pessoas, novas chances e oportunidades, não era necessário que se preocupasse com o repúdio de alguém que não mais a queria em sua vida, mas pensava ainda em Roberto, de forma quase que infantil, como uma criança que acreditara que seus mais benignos ideais estavam nele encarnados.

Eram seis horas, o sol já estava baixo, a vida continuara, o telefone tocara, não era Roberto, nunca tivera sua chance, nunca pudera se explicar sobre algo que não conhecera, nunca fora ouvida, fora apenas esquecida.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008


Não sou nada.
Nunca fui nada.
Nunca serei nada.
Não posso mais querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos aqueles sonhos ainda rasgando meu peito.
Estou hoje vencido, como se a injustiça, o precipitado e o ódio disseminado pela covardia, destruisse o real, que nunca foi como a mentira proferida.
Estou hoje acabado, como se cada insulto destruíra o resto de mim.
Não fui nada, não sou nada
Fui o pior, aquele que jamais foi conhecido.
Como se não tivesse mais irmandade com as coisas restou
uma dolorosa despedida,
Estou hoje perplexo, como quem procurou, achou e foi roubado.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo a sensação de que tudo não era só sonho, e o que hoje é real.
Falhei em tudo.
Apesar de que não fiz nada com propósito algum, então talvez tudo fosse nada, mas pra você foi tudo.
Ganhei aprendizagem ainda que util, dolorosa, na verdade é apenas estrume ofuscando a unica conquista, a verdadeiramente querida, na qual me empenhei a cada segundo, e que o unico riso que me provocara era o de alegria por ter conhecido, estado e ainda que breve vivido. Decepção pra mim era apenas o pó.
Não, não creio mais em mim
Não, nem em mim...
Quantas aspirações altas, Nobres, lúcidas.
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas,
E quem sabe se realizáveis,
Uma nunca mais verá a luz do sol, é enterrada a cada minuto por algo que nunca existiu, foi sepultada cuidadosamente em uma teia de fraudes, que levam a sua agonia.
Palavras bem colocadas podem causar comoção, mas quando mal interpretadas o mais profundo ódio; Inexplicado, gratuito, armado. Trouxeram ofensas que só feriram e destruiram frágeis laços.
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão, ainda que tenha tentado.
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta.
Conquistava todo o mundo antes de levantar da cama;
Mas acordo e agora ele é opaco,
Levanto e ele é alheio,
Saío de casa e ele é a saudade, que me penetra a alma com uma tristeza infinita, como se para mim a esperança de justiça agoniasse e todo resto tivesse morrido.


(Adaptado)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008


Talvez a pior parte não seja o exagero, ou a superficialidade que machuca a cada vírgula, quem sabe a pior parte esteja em ver o quanto tão pouco pode significar muito, ou quanto tudo pode ser tão insignificante. Às vezes na destruição de uma realidade é mais fácil se apegar a fatos, e certezas, ainda que elas não sejam o que parecem, ainda que elas jamais existiram, afinal quem choraria se na verdade queria apenas quer rir pelas costas? Quem perderia seu tempo com tanta inútil briga, se deixando ofender, a respeito de algo que não corresponde à magnitude da minha composição humana, tal como a sua, quem nos permite errar. A maior decepção é apoiada na tirania de um julgamento frio e superficial, que considera indigno tudo aquilo que quer imaginar, tudo que quer vestir como a verdade, uma verdade ridícula que nunca existiu, uma verdade que afasta o melhor que poderia acontecer, que traz o desprezo sem fundamento, então me bata, mas me ouça! Pelas costas, quem nunca viu o choro e nem o riso, pode prefirir a acreditar só no riso, mas de que? Se o único riso expressa alegria? A emoção mal escrita possa causar idéias ruins, mas a injustiça dói mais do que qualquer soco, e essa é a pior parte.

terça-feira, 12 de agosto de 2008


Já fazia tempo, desde aquela primeira e única manha fria, em que aquele copo de leite, na cozinha vazia representava tudo que eu podia ser naquele momento, o vazio era quase inerente a minha respiração. Nunca uma manhã foi tão gelada, tão vazia como aquela manhã, logo depois de tudo, mas nunca é a única condição que parece se cumprir nessa sucessão, foi mais uma vez a manhã mais gelada desde aquela ultima manhã, a qual eu jurava ser a única e ultima que me acompanharia pela vivência, mas dessa vez com uma proporção mais diferente, uma proporção ainda maior. Essa manhã começou logo, não as seis, mais as quatro, com a demência invadia minha cabeça, e a raiva já não me deixava sonhar com as sobras do passado o tempo correu, a raiva, já não era tão importante quanto o vazio, a perda, a perda sim, a única que me fez ajoelhar, ela sim me matou essa manhã, e quando já não sobrava mais uma célula viva em meu corpo, um único suspiro de alegria a indiferença sepultou minha já finada esperança, só me restava aquele leite a cozinha e dor. Aquela manhã fria, nunca foi tão fria como essa manhã, a certeza do nunca, é que ainda me mata, a traição se tornou algo tão acanhado frente a perda, a felonia da atitude alheia só me cobre de repulsa, mas o detrimento de um sonho me inuma. Não podia confiar, mas como esperar a traição? Se soubesse, jamais teria optado pelo detestável; Se soubesse talvez não tentaria voltar a trás a cada segundo, a cada momento eu só posso esperar e saber que a cada minuto, a cada tempo, é mais um momento de menos tempo, é saber que estou ficando longe de algo que gostaria de que nunca tivesse acabado, algo que gostaria de saber, talvez de ser grande o bastante pra entender, talvez grande o bastante pra não cometer erros tão ínfimos. Mas quanto mais jovem mais eu nunca saberia que um dia me sentiria assim, como se eu nunca tivesse visto o céu, querendo sumir, a cada dia gostando mais e mais, mais se ouvisse algo do meu imo(...) as estações vão mudar do inverno pra primavera, mas ao contrario do que eu gostaria, você jamais vai querer continuar essa canção.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

As combinações de futuro que faço, se concretizam.
Traços e linhas me antecipam, dão sofrimento à asa que alço mentalmente.
Marcas que correm ares e passados levam consigo feridas, fixações, encontros.
O universo que levo nos ombros contêm o peso do caminhar.
Estendo braçadas nos matizes da liberdade.
Sei o lapso que pertence ao meu pálido momento.
Meti o pé na cicatriz geradora da neblina.
Os débeis monumentos me encaram como sombras e espectros que vivenciam o horizonte.
Acordo sob o chão estático da metafísica.
Os sonhos que interseccionam o espaço decidem minhas ausências.
Insisto no amplo como um pássaro insiste no céu.
Acredito na complexa distinção de uma lágrima.
E que os aspectos sejam mais fortes que meu conhecimento.
Não há mais verdades no banco da esperança.
Um barco navega continuações secretas e eu o acompanho com a imaginação.
Nenhuma de minhas sensações possuiu a distância das coisas.
Pontos que persegui cegamente jamais existiram.

domingo, 1 de junho de 2008

Eixo do mau que insiste em me dizer a sua verdade, você não é mau. Insiste em me fazer sofrer insiste me força a esquecer, insiste só em sofrer, nada mais sou nada mais desejo, desejo o eixo do mau, desejo o eixo sem medo, o eixo mau que eu sonhei que eu idealizei desejo você eixo mau, como você é, em meus sonhos. Desejo você eixo, desejo entender você, porque me fazer sofrer? Já não pode confiar no bem? Eixo, por quê? Pra quem se posiciona, porque não entendo? Porque não entendo? Não entendo!

sábado, 10 de maio de 2008

Deite-se: Durma; Durma, durma, durma, durma, durma, durma! Sonhe, sonhe, sonhe, viva, viva, viva, viva, sonhe, sonhe, durma, durma, acorde, durma, durma, sonhe, viva, viva; Viva!
Acorde, levante-se, decepcione-se, retire-se, Deite-se: Durma; Sonhe; Viva.




Era uma tarde de inverno, das quais a consciência ainda se permite apenas imaginar, ela não pedia por mais nada, apenas gritava por algo que lhe parecia já tão incomum. Ela pedia que se sentassem, pedia que as coisas fossem menos claras e mais claras, pois toda aquela sinceridade a machucava de uma forma particular. Ela clamava pelo entendimento de algo que jamais vivera, isolava-se do mundo e não daquilo que gostaria de arrancar, se iludia em calmas palavras: secas, frívolas. Era uma tarde de inverno, era outra tarde de inverno, era a mesa tarde de inverno, o mesmo inverno em que a noite impossibilitou a vigência da normalidade consciente, o mesmo inverno que impossibilita o comum de voltar a ser princípio da consciência, o inverno que impediu a clareza do obscuro e talvez a impeça de jamais encontrar a clareza na escuridão, talvez, deixe-me pensar sobre isso.

quarta-feira, 2 de abril de 2008



Meus amigos não gostam de centros. Meus amigos morrerão sozinhos. Meus amigos se foram para longe e não voltarão. Todos eles se confundiram com algo. Todos eles estiveram sentados e ouviram, ouviram, ouviram Talvez. Planejando evoluir, pensando tanto em se mexer. Ficando por seus sinais. Retendo todos os fenômenos e cinzas. E quando se recolheram nos quartos, as lamparinas apagadas, a cama fria. Só queriam dormir sem sonhar.

segunda-feira, 31 de março de 2008


Prazer e o otimismo tendem a ser cúmplices da alienação, na sucessão inevitável, se tornam sedativos da consciência, corroem destroem e matam o sonho mais infantil, mais longevo. O futuro melhor será para quem o presente melhor o faz, traçado por linhas retas por todos os que não se dispõem a esperar, mas sim sabem fazê-lo se prostrar as próprias vontades. Caminhar em um mundo em que indivíduos não percebem que a quantidade gera o sofrimento e que culpam um sistema abarrotado,se orgulhando, ainda que sem saber, que a saturação a qual ostentam, tende a marginalizar o melhor. Trata-se de um jogo de otimismo: Será melhor! Meus filhos serão doutores!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008


Eram onze da noite, e aquela dama esperava na sarjeta mais próxima entre lixo e dejetos. Aos trinta e cinco anos sua vida já não se parecia nada com aquilo que havia sonhado em épocas de menoridade, em devaneios profundos acreditava que sairia dos subúrbios de moscou e rumaria vida própria, deixaria de lado todas suas dependências e necessidades, não haveria mais de pedir por comida banhada de piedade ou de morar com outros tantos em um casebre ao fundo de uma antiga olaria, aos quinze anos seu sangue fervia como a luz dos sentimentos e desejos; aos trinta e cinco fervia como toda aquela neve na praça vermelha.
Pobre era aquela senhora, sentada na nevasca gélida, a espera da sua única ligação com a vida: um velho senhor, viúvo, pai de um filho já formado, com quem ela se encontra todas as noites frígidas de moscou, e como de costume todas as noites as onze e meia, o carro do senhor parava na mesma rua, um tanto longe da sarjeta que ela costumava esperar, ela caminha até o velho carro e só retorna as quatro horas da manhã, Sempre voltava; Suja de sangue, com vestes mau-tratadas e o rosto banhado com lágrimas que insistem em ser lágrimas no frio da capital russa. Eu a observou de longe, entre um chá e outro sua vida se passa diante de minha ausência, e estar fora de sua própria existência, me fortalece, aos vinte e cinco anos, espero sentado entre um chá e outro meu trem, observando a melancólica existência desta senhora, sem ter a quem recorrer banhada em uma desgraça que a vida não lhe deu preferência.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Tenho abandonado alguns projetos para aderir a outros, e que projetos! Projetos que percebo meros projetos, vivendo-se sempre do mesmo itinerário de vazios, de planejamentos imiscuidos com lama e lágrimas, e sei que inseguros. Nada parece avançar embora tudo tenha dado certo no passado e quando recordo os caminhos trilhados, o que já vivi sempre se elementa em minha memória mas não ressuscita, minha memória sempre se demonstra fosca. Arranhada pelo subjetivismo com que a invoco e organizo. Nada do que fiz me irrompe o âmago de maneira digna, do modo que fui e senti e desejei tão piamente que o tempo disparasse e eu me libertasse... Mas o tempo jamais dispara. Minhas pequenas conquistas vinham, meus fracassos ficavam sempre em algum fragmento desperto da consciência. Que alertava-me instantâneamente e de maneira lamentável. Sinto orgulho de minhas vitórias mas a aversão ao intocável é inerente aos meus passos e sonhos, sou apaixonado pela misantropia pois os homens me enervam. Acaso pudesse, viveria soterrado num cômodo revestido de livros, silêncio e conforto. Assim poderia escolher o modo que os ambientes e pessoas seriam e o tempo que as desejasse. Tiro fotografias das sombras dos objetos e sinto como se fossem minhas únicas confidentes.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


Trovões, chuva, é um começo de noite calmo; A loucura aos poucos se foi, a esperança corroída e finada dá seus últimos suspiros, não existe mais nada, sou oco. Vazio de sentimentos e ilusões, vago por cada minuto. A vida pra muitos já recomeçou mas a minha ainda não, e ela insiste em ser revivida, ela não se cansa de voltar todos os dias. Talvez a falta de emoções me coloque aqui sentado a escrever, e por não sentir nada talvez tudo se torne apenas um amontoado de palavras; A chuva chove lá fora, o tempo insiste em reviver sua vida, as decepções já não são novidades, o planejamento se reduz ao agora e os suspiros da esperança já não são mais audíveis, em fim estou sentado com os pés no chão.

sábado, 9 de fevereiro de 2008


O temor de uma certeza me faz delirar e a espera é conivente a toda essa loucura, já pela manhã quente e importuna ela já é presente, o aguardo dos segundos cruzando cada minúsculo mecanismo de minha vida, cada caco da espera me sufoca, me mata me faz menos paciente dentro de uma vivencia que só exige resignação. Esperar por horas, por dias, por semanas, desperdiçando aqueles que poderiam ser os melhores minutos de minha vivência ínfima, tudo poderia ser agora, se não fosse pela culpa da certeza do descaso; A espera se torna longa quando o objetivo se torna fácil, as palavras que edificaram uma nação jamais edificaram seu orgulhos, e o orgulho é apenas mais um cúmplice deste vicio de esperas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos... Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto — Nesta localidade da cidade ...
Há vinte anos!... O que eu era então! Ora, era outro... Há vinte anos, e as casas não sabem de nada...
Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram! Sei eu o que é útil ou inútil?)... Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)
Tento reconstruir na minha imaginação Quem eu era e como era quando por aqui passava Há vinte anos... Não me lembro, não me posso lembrar.
O outro que aqui passava, então, Se existisse hoje, talvez se lembrasse... Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!
Sim, o mistério do tempo. Sim, o não se saber nada, Sim, o termos todos nascido a bordo Sim, sim, tudo isso, ou outra forma de o dizer...
Daquela janela do segundo andar, ainda idêntica a si mesma, Debruçava-se então uma rapariga mais velha que eu, mais lembradamente de azul.
Hoje, se calhar, está o quê? Podemos imaginar tudo do que nada sabemos. Estou parado físisca e moralmente: não quero imaginar nada...
Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro, Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado, Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente. Quando muito, nem penso... Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora, Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento.
Olhamos indiferentemente um para o outro. E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol, E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.
Talvez isso realmente se desse... Verdadeiramente se desse... Sim, carnalmente se desse...
Sim, talvez...

Álvaro de Campos

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

São muitas clavículas que arrastam o mundo. Eqüinos subnutridos movimentando as carruagens imensas e paralelas da vida. E atrás das chibatas - álém dos receios, traumas e angústias - acossados ininterruptamente pela velocidade das sombras que os espreitam, aterrorizam suas visões periféricas e chacinam seus momentos íntimos. Num galope contínuo e que se ascende e perde cada vez mais obstinadamente e hermético de suas almas e corpos. Que, sob tortura e pressão, cedem a tudo e cessam seus regozijos mais profundos, resignados e secretos... Friamente, pois não há tempo para aquecimento, perspectiva ou concentração. Nem estímulos para o prosseguimento. E apenas lhes resta o anseio de não se despedaçar e ruir entre os abismos das dimensões. Estranho anseio pois a razão implora descanso, o respeito implora revolta e as emoções imploram frestas. Algumas clavículas sempre se estraçalham mas são muitas e muitas que as aguardam com olhos famintos e sede por espaço e chances. Virar-se significa ser atropelado pelo célere e copioso turbilhão que vem de trás em câmaras exíguas e escuras. Só lhes resta correr, correr e correr na vã tentativa de alcançar resultados turvos.

domingo, 27 de janeiro de 2008






Criadas como reflexo daqueles que servem como única fonte de inspiração, as crianças em grande maioria são vítimas de cretinos “revolucionários” que plantam a intolerância e o ódio, na mais frágil das mentes, aquela que não teve a oportunidade de supor, aquela mente que só teve tempo de admirar o único e de imaginar o imaginável, até que ponto o ser humano pode se rebaixar? Até que ponto “vadias” do pop mostraram suas vaginas, como se sua imagem pública pertencesse apenas a suas própias contas bancárias, desconsiderando a seriedade de ser vista como exemplo para milhares de frágeis mentes inocentes que em muita vezes ainda desconhecem a vulgaridade dos atos, daquelas que são "filhas" das futuras "mães" .

Até que ponto podemos nos isentar de criar reflexos profundos na formação de crianças? Até quando se aproveitar do mais frágil, contra o mais forte, for um bom negócio.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008


A loucura é companhia viva, reclusão feita, reclusão criada, reclusão invitada pela vida, por erros, por desleixos, por palermices. Pelo humano foi dada a roda, como prova clara de sua necessária expansão, nas margens da vida, o sentimento de utilidade parece algo inútil, a utilidade já não é mais útil, em um ciclo de vícios, que tende a cada milésimo acrescentar uma pedra, que leva a morbidez, que leva ao ócio, que traz a loucura, que exige correspondência, que não aceita explicações! Loucura que desaparece que volta que desaparece e volta repetidamente em um ciclo, de uma década e oito anos, três dias anulam sua companhia, e uma noite a faz voltar, a esperança se torna tão insana quanto a vida.
A liberdade, a sonhada liberdade, merecida, conquistada pelo convivo com a demência! Se a saída não fosse disputada por outras trinta mil pessoas, ela poderia ser mais fácil, mas ela não hesita, ela só exige, mas a mente não absolve, ela também exige.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Um sonho perturba-me com uma persistência espantosa. Chama-me de volta à aldeia do meu avô. Aquela casa onde nasci há 40 anos na mesa de jantar. A visão é-me tão cara que até me dói. Mas, quando quero entrar nessa casa, aparece qualquer coisa e impede-mo. Tenho esse sonho com freqüência. Mas quando vejo as paredes de madeira e a escuridão, sei, mesmo na sombra da espera do despertar, que não passa de um sonho. Por vezes, porém, deixo de sonhar com a casa e com os pinheiros em torno da casa da minha infância e tenho saudades. E espero impaciente o regresso desse sonho, onde voltarei a ver-me criança e a sentir-me feliz, porque tudo está ainda pela frente e tudo será ainda possível...


Tarkovski

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008



A esperança, que não depende mais de nós, quase sempre se limita a todo o resto a quem nós tentamos confiar, depositamos nossas fraquezas e sonhos nas mãos daqueles que poderiam fazer nossas esperanças irem além de frias noites de sonhos esfumaçados, por desespero ou por falta de opções, sem caminhos definidos ou certezas concretas só podemos aguardar o amanhã incerto e angustiante, que sem grande surpresa, será tão vazio quanto à espera; A necessidade humana não condiz com a ação, à necessidade humana só condiz com seu próprio Bem estar, e se a esperança alheia não o completa, será esquecida ao “destino”.

não me sinto bem em espaços públicos. algumas pessoas me aborrecem profundamente quando começam a falar. a se aproximar gesticulando. fazendo menções espalhafatosas. absorvendo cada filete de atenção e paz de minha mente já alvoroçada. achando que tudo se restringe a seus gostos e vaidades pessoais. que a vida é cheia de encantos e paraísos flutuantes. e tenho o desejo de cuspir. as mãos sedentas para estrangular. os dentes em fúria para se descerrarem e permitirem as sentenças mais brutais de impaciência. até que elas vão embora. e tudo volta ao que era sem qualquer significado. e penso que perdemos muito tempo ouvindo coisas estúpidas, vendo coisas estúpidas. e o contato contínuo pode nos tornar o que mais refutamos. os feixes de convívio exteriores se sobrepõem a nossa frágil mente. somos redefinidos a cada minuto.

sábado, 19 de janeiro de 2008




A ansiedade já correu o que sobrava da minha alma, o amanhã é um forte de folhas de seda, bem arranjado, sustentado por frágeis vigas de esperança. Esperança de que o amanhã, não o próximo, mas talvez o posterior ao próximo amanhã, trará o tão sonhado amanhã de ontem, eu sei que ele vai chegar, amanhã talvez! Amanhã é logo ali, só mais esse dia, só mais algumas horas, só mais poucos minutos! Não, mas quem sabe amanhã...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe,da farinha, do aluguel,do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,pilantra, corrupto, e lacaio dos exploradores do povo."

B. Brecht

Cansaço, apático, de não poder ver a vida como cada um escolhe ver, em diversas atitudes, os seres que vagam e se denominam podem simplesmente ser o que lhes cabe ser, talvez por meio, talvez por oportunidades e certamente por verdades, mas nunca confinados por uma realidade de meio e oportunidades, de verdades que desagradam distintas vivências.
Isolamento aliviado por vezes através das opções grotescas e nebulosas, a margem de falsas esperanças, nas quais uma vida “normal” se torna plausível e os anseios mais comuns podem ser reais; Banalidades da formação ao longo da existência alheia, que ferem fatos corriqueiros que jamais foram experimentados pelos cansados, durante toda sua simples vivência; que até podem ser tocados de forma superficial em manobras obscuras, mas que jamais poderão ser completos.
E quando o cansaço se faz mais forte do que cínica opção, então acabou; Já é hora de buscar ‘adágios’ similares, ou de se render, e aceitar a negação.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Quanto mais se espera do futuro mais se percebe que o futuro só se baseia em uma rede de suposições, que levam a sonhos que serão determinados por fatos, que muitas vezes não podemos controlar.
Sem duvida se conseguíssemos controlar todos os fatores que influenciam de forma contraproducente, nossas inventarias esperanças, que chamamos de “futuro” seriam mais do que suposições de “acalanto” para a consciência; Talvez seja por isso que a esperança de um “futuro” melhor, ao começo de cada ano conforta cada dia mais nossos devaneios mais profundos, e nos prende, ainda mais, a nossa situação mais autêntica.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008






Igualdade ! Igualdade ! Igualdade

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Os escritos sem objetivo são os melhores, desapegados a fluxos técnicos e banalizadores, esmagam o que houver para se esmagar de real e típico. Simples são, pelo prazer de desobedecer a insaciedade de todos os propósitos e de transcender a razão mortal. Surgirão os panfleteiros do apocalipse e as carabinas estarão arregaladas, com seus estereotipos e fracionadas e lucidíssimas bases do contexto cronológico-cosmo-ocidental. E fundar projetos sem quaisquer intenções devem ser as metas dos comunistas sujos. Não, Interpol, não venha antes de eu coletar minha mamadeira e saber a real procedência de meu


Fomos atacados ontem na noite do dia 31, a soberania deste imenso país foi tomada! De forma sorrateira enquanto todos comemoravam o ano novo, era possível ouvir as explosões, sem exércitos ou morteiros os americanos tomaram o país! Estamos sobre o controle de Washington! Eu ouvia, e conheço várias pessoas que também ouviram “estalos” como de bombas, só que eram bombas atiradas aos céus (os americanos não queriam prejudicar a vasta infra-estrutura do país) todos os emails e correntes estavam certos os americanos estavam de olho no país, e hoje eles são donos, tomaram conta, com ajuda da china, e com o atraso da Grécia.