Imagine
"O ato de ir ao shopping é político: porque esses jovens estão se apropriando de coisas e espaços que a sociedade lhes nega dia a dia"
Pobre não pode passear em shopping. Todo dia, quando queremos entrar em um desses templos da burguesia Somos barrados na porta e temos nossas carteiras revistadas pra provar que temos dinheiro pra participar desse empreendimento elitista.
Mais uma vez os dois extremos sem causa, direita e esquerda, aproveitam uma situação nova pra matar a sede da discussão das lutas de classe.
Dai, um abraço! Vira um show de bobagens e de absurdos, desde que o rolézinho é a expressão da periferia oprimida, até que esses adolescentes deveriam ser mortos, uau, brilhante.
No mês passado, os shoppings estavam lotados. Grupos de centeas de pessoas entupiam os corredores dos shoppings, sem ter que dar satisfação de sua cor, raça ou se tinham dinheiro pra comprar "tudo aquilo que sempre tiveram vontade".
Essas pessoas também não precisavam de roupas de marcas pra "serem vistas como gente" e também não "fizeram arrastões" em nenhuma loja nem causaram pânico a ninguém, a não ser talvez o funcionário de papai noel, que teve que ouvir a todo aquele pessoal, pobre e rico.
Apesar disso, os extremos continuam a perder o foco e a tentar forçar soluções tão idiotas quanto a falta de realismo das opiniões.
Vamos fazer um teste? Seus amigos podem te ajudar.
Se você for negro e pobre:
comece a correr, gritar, cantar música alta pelos corredores do shopping, como se fosse a sua casa.
Acredite, você será expulso do shopping.
Agora peça ao seu amigo branco e bem nascido pra que ele faça o mesmo. Acredite, ele também vai pra fora, junto com você.
Baile funk, Baile de música clássica ou a balada da elite, não acontecem nos corredores do shopping, pelo simples fato de que o shopping não é uma casa de show, bar, boteco.
Assim como ninguém reza nos corredores do shopping, ninguém vai ao banheiro no meio do shopping e ninguém monta uma tecelagem de seda no meio dos corredores, isso pois cada coisa tem um lugar e um comportamento comum.
No seu trabalho, você dança na mesa? Você se sente humilhado quando não pode comprar um pão de queijo na cantina do colégio? Você vai de sunga pro escritório e terno pra praia?
Então porque cantar e gritar em um corredor de shopping parece algo normal?
E não, por incrivel que pareça amigo leitor de extrema direita, não adianta "sentar a bala nos adolescentes pra eles aprenderem a ter educação."
E se os bailes funk pudessem acontecer como qualquer balada? Liberado, como qualquer balada, mas também com regras, já que pra que a música alta dos "burgueses ricos" atrapalha tanto o sono da senhorinha quanto o "funk alto do pobre excluído".
E se a gente se acostumar a respeitar aquilo que é lugar de todo tipo de "tribo", mas também se acostumar a respeitar as panelas de cada um, seja nos bailes funk, seja nos shoppings, seja por negros ricos, seja por brancos pobres.
Enquanto os esquerdistas e os direitas se estrangulam pra ver quem carrega a verdade divina de um país parado na guerra fria, a população assiste a uma guerra de ideologismo sem fim.
Um ideologismo que fala muito e continua não resolvendo nada.




